domingo, 12 de dezembro de 2010

Soledad, hoje eu percebi
sua companhia não é nada triste.
é favorável a novas descobertas,
novos caminhos, novas artes!
saber desfrutá-la
é um privilégio e não um penar.
lamentar, sofrer e borrar meu rímel com lágrimas
não é a intenção da sua vinda.
você me veio como um presente!
me fez despertar.

me sussurrou, eu não ouvi
mas agora você me grita
em forma de cores
traços, texturas...

me trazendo de volta
a felicidade que pensei encontrar nos outros
quando ela estava o tempo todo dentro de mim.

Estava feliz de mais para perceber
que estar feliz de mais iludida
na verdade é tristeza.

tentaram me destruir
me presentearam com falsas alegrias
me vendaram para que eu não pudesse mais ver
que tenho sim um motivo para amar
alguém a quem me dedicar
me entregar por inteiro
sem ter preocupações

pois ele jamais irá fugir como fizeram comigo.
ele permanece aqui o tempo inteiro:

talento.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Oi, Soledad! Sou eu de novo!
Me traz uma garrafa de cerveja,
um cigarro e um quadro pra olhar.

De batom na boca, delineador nos olhos,
pouco importa meu mal estar emocional.
Continuo impecável, fingida.
A máscara de pó até esconde marcas
de noites sem dormir
por pensar de mais nos outros
e não em mim.
Mas a expressão não engana.
Sobrancelhas franzidas
costas curvadas
olhar baixo e distante.

E o copo ficou vazio
O cigarro morreu nos meus dedos

O celular já não toca mais há semanas

Por enquanto só tenho o meu silêncio
tentando escutar no meu mais profundo âmago
a voz da esperança, mesmo que apenas seja um sussurro